Xadrez ajuda detentos a 'se libertarem' de prisão no ESCondenado a 30 anos de prisão por assaltos à mão armada, o detento Rodrigo da Silva de 27 anos, está aprendendo a repensar e a raciocinar com a ajuda de peças e um tabuleiro de xadrez, dentro das grandes da Penitenciária de Segurança Máxima 1, em Viana, na Grande Vitória. Ele faz parte do ‘Xadrez que Liberta’, melhor projeto socioesportivo do mundo, eleito no último mês no Canadá. De acordo com a secretaria Estadual de Justiça (Sejus), a atividade é aplicada para mais de 3.500 detentos em 32 unidades prisionais do Espírito Santo . “Depois que comecei jogar percebi que antes de tomar uma decisão na minha vida tenho que pensar direito, para saber se a minha decisão está correta. O xadrez é isso, ajuda a gente a pensar antes de tomar qualquer atitude ou jogar qualquer pedra errada. Por causa das atitudes precipitadas é que nós viemos parar neste lugar. Nesse jogo eu não quero perder, não quero levar o xeque-mate como levei lá fora”, explicou o Rodrigo. Mudança de vida “As jogadas do xadrez são parecidas com as ‘jogadas’ e decisões que tomamos na nossa vida. Às vezes nós temos que desviar de vários obstáculos para alcançar alguma coisa. No jogo também é assim, vence quem chegar lá em cima. No tabuleiro, um peão pode se tornar uma peça mais forte, de acordo com as jogadas que fizer e dependendo da pedra que mover. Na vida real também é assim. Podemos ser o que nós quisermos, professor, doutor, executivo, basta correr atrás, ter força de vontade e trabalhar”, relatou. Exemplo para o mundo No último dia 8, representantes da Confederação Brasileira de Xadrez (CBX), apresentaram o projeto a subsecretária Geral e Diretora Executiva da Organização das Nações Unidas (ONU) Mulheres, Michelle Bachelet, na sede da organização, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. O objetivo de Bachelet é levar a iniciativa capixaba para todos os presídios femininos do mundo. “Fiz coisas erradas e por isso estou aqui. Tenho consciência que tenho a oportunidade de mudar. Todas às vezes, que espero meu companheiro mover a peça, reflito, penso e me perco em meus pensamentos. Se eu estivesse só lá no outro ‘xadrez’, lá na cela, meus pensamentos poderiam não ser tão positivos. Esse jogo tem vários objetivos e preenche a nossa mente”, disse. O projeto "Trabalhamos o xadrez não como fim, mas como meio de reflexão, de atitude, de ética, de moralidade. Isso não quer dizer que torna o indivíduo mais inteligente, na verdade só aguça valores que nós já temos e que são natos. Isso pode se mais intenso para essas pessoas que estão privados da liberdade", explica Neto. O vice-presidente da confederação disse ainda que o xadrez é um esporte diferente por que trabalha com o intelectual, a possibilidade de resolver problemas, autonomia e tomada de decisões e pode ser realizado em qualquer espaço físico. Fonte: G1 Comentários, critícas e sugestões, entrem em contato pelo e-mail cadeia21@bol.com.br ou pelo Formspring. |
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