Detentos causam curto-circuito em presídio do RN e ficam fora das celas

Os detentos do Presídio Raimundo Nonato, em Natal (RN), quebraram os cadeados das celas e transitam livremente há 15 dias, desde que o edifício ficou sem energia devido a um curto-circuito acidental provocado pelos próprios presos, de acordo com Almir Medeiros da Fonsêca, vice-diretor da unidade. Segundo ele, os presos mexeram no sistema elétrico para instalar novos ventiladores porque as celas estão superlotadas e muito quentes.

Um reparo restaurou a energia temporariamente nesta sexta-feira (11), mas segundo Francisco Renilson da Silva, diretor da unidade, não deu para resolver o problema. Silva  assumiu o cargo na própria sexta, após o antigo diretor pedir exoneração por motivos particulares. Nova manutenção está sendo realizada nesta segunda e a energia deve voltar entre a terça (15) e a quarta (16), diz ele.

Segundo Silva, a situação é “pacífica” e os detentos aceitaram voltar às celas quando a energia voltar. Desde o dia 29 de abril, quando a rede elétrica entrou em colapso, os agentes não fazem as vistorias periódicas nas celas e duas tentativas de fuga foram abortadas pela Polícia Militar, que faz o patrulhamento externo do presídio, informa o vice-diretor. “A última tentativa de fuga foi há seis meses”, diz Fonsêca.

Curto-circuito

Segundo Fonsêca, os prisioneiros causaram o curto-circuito acidentalmente ao tentar instalar novos ventiladores implementando novas tomadas nas celas. “Eles desencaparam os fios e fizeram ligações novas, que sobrecarregaram o sistema elétrico”, diz.

Fonsêca diz que a demora de 12 dias para engenheiros fazerem a primeira visita à unidade é responsabilidade da secretaria da Justiça e Cidadania (Sejuc). “Mandamos memorando urgente para a secretaria [da Justiça e Cidadania], mas, para o engenheiro vir, depende dela”, diz.

A Sejuc disse ao G1, por meio da assessoria, que aguardava a indicação de um secretário titular à pasta neste fim de semana para se pronunciar e que isso ainda não ocorreu.

Segundo Fonsêca, o presídio tem 396 detentos, sendo de 12 a18 por cela, e capacidade de 160 - uma superlotação de 120%. A unidade, com 7 anos, “nunca passou por reforma preventiva, estrutural ou operacional”, diz.

Estado sem coordenação

O coordenador-geral inteirino do sistema prisional do estado, José Olímpio da Silva, critica a gestão do sistema penitenciário no estado. “O sistema penitenciário do Rio Grande do Norte não tem coordenação", diz ele, que afirma que  a Sejuc já teve dois secretários titulares neste ano antes do secretário da Segurança acumular inteirinamente a função, em março. Os dois antigos secretários da Sejuc pediram exoneração, diz.

Após uma fuga de 41 detentos da Penitenciária Estadual de Alcaçuz em 19 de janeiro deste ano, três dias após da posse do último secretário inteirino da Sejuc, o diretor da unidade prisional, o vice e Silva, na época coordenador titular do estado, foram exonerados do cargo, relata Silva. Os três profissionais que assumiram os cargos pediram exoneração e Silva voltou para a coordenação como inteirino, diz.

A situação da falta de energia é crítica, mas o problema é geral nas 37 unidades prisionais do estado, diz Silva. “Algumas [unidades] têm 10 anos e não tiveram manutenção preventiva e corretiva até hoje."

Fonte: G1

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