Facções rivais comprometem a segurança no presídio de Itabuna (BA)

"Você vê todo mundo falar: ou sou raio A, ou sou raio B. Quem é raio A eu vou matar. Aí se eu sou do raio B, eu vou matar". O depoimento é de um ex-detento que viveu o clima de terror do presídio dividido por duas facções rivais em Itabuna, município no sul da Bahia. Cada grupo ocupa uma ala do prédio construído para abrigar 480 presos, mas que hoje tem o dobro da ocupação.

"Quando eles vão dar entrada no sistema prisional, que é feita revista, é feita a qualificação, eles geralmente indicam: 'eu pertenço ao grupo do raio A ou pertenço ao grupo do raio B ou não pertenço a nenhum grupo", diz o capitão Neimar da PM.

A direção do presídio de Itabuna reconhece que os detentos das duas facções têm que ficar separados. "Se juntar hoje provavelmente poderá ocorrer algum conflito, como ocorreu no passado recente, que tivemos esses dois grupos aqui se enfrentando", pontua Fábio, diretor do presídio.

A rivalidade é assumida até na internet. Vídeos com músicas que citam as facções mostram supostos integrantes exibindo armas e trocando provocações. A polícia acredita que a disputa entre os grupos esteja por trás da violência na cidade.

"Acreditamos que seja em relação ao tráfico de drogas, a essa guerra que existe na cidade de Itabuna entre o raio A e o raio B, e por conta disso, esses indivíduos estão passando pela cidade, encontrando desafetos e efetuando disparos mortais", observa Moisés Damasceno, coordenador regional da polícia civil.

O pastor Alex Moraes fala sobre o assassinato do irmão no ano passado. "A ordem também veio de dentro do presídio. A gente acaba hoje , como cidadão de bem, tem medo até de sair de casa justamente por essa guerra, né?", indaga Alex.

Para um especialista em segurança pública, a rivalidade entre os grupos criminosos dentro e fora da cadeia surpreende em uma cidade de 200 mil habitantes.

"O que nós estamos vendo aí, pela ousadia desses criminosos, é que eles não têm o mínimo receio de serem alcançados pela polícia, de serem processados, de serem condenados, e, se forem condenados, vão para um presídio que eles dominam", destaca Carlos Alberto Gomes, professor universitário.

A Secretaria de Administração Penitenciária diz que vem acompanhando de perto a situação do presídio de Itabuna e que já tomou algumas medidas para amenizar o clima de tensão entre os detentos. Em nota, a Secretaria informou que uma das providências é o isolamento dos chefes desses grupos e lembra que não é permitido aos presos determinar áreas de exclusão na unidade.

Fonte: G1

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