Acusado de matar padre é condenado, mas deve ganhar liberdade
Um dos crimes de maior repercussão dos últimos tempos teve o julgamento do acusado na última quarta-feira, dia 16, no Fórum de Montenegro. Quem esteve no banco dos réus foi Everton Carvalho de Aguiar, o “Sorriso”, de 28 anos. Ele foi julgado por homicídio, em razão da morte do padre Jacinto Allebrandt, de 57 anos, ocorrida em maio do ano passado, numa propriedade da família do religioso, situada na localidade de Rincão, interior de Brochier.
Por volta de 16 horas o juiz André Luís de Aguiar Tesheiner proferiu a sentença. Everton foi condenado por homicídio culposo, onde não houve a intenção de matar. Neste caso a pena pode ser de um a três anos de prisão. A pena de Everton foi de um ano e quatro meses de prisão. Por ser reincidente, com antecedentes criminais e inclusive estava em liberdade provisória quando aconteceu o crime, foi acrescido mais um mês. O juiz fixou então a pena em um ano e cinco meses de prisão, em regime semi-aberto. Como Everton já estava preso preventivamente por um ano, em regime fechado, na Penitenciária Estadual de Montenegro (Pesqueiro), foi lhe concedida à liberdade provisória e recebeu alvará de soltura.
Defesa X Acusação
Para a advogada de defesa, a defensora pública Lívia Miranda Muller Drumond Casseres, foram acolhidas as teses defensivas de injusta agressão em que o réu agiu em legítima defesa, mas de maneira exagerada, por imprudência. “Foi feita justiça. Por este processo ele está livre”, afirma.
Já a promotora de justiça, Daniela Tavares Tobaldini, acredita que foi demonstrado, pelas provas técnicas, de que não havia justificativa para o assassinato. “Informei aos familiares da vítima que ainda vou avaliar a possibilidade de recursos. Lembrei que a decisão do tribunal do júri é soberana, mas não descarto recorrer”, declarou. No entender da promotora, que defendia a tese de homicídio qualificado, com pena de 12 a 30 anos de prisão, os jurados não entenderam o quesito que foi submetido o julgamento. E por isso acredita que houve o reconhecimento de um excesso culposo, onde o réu teria se defendido da agressão de uma forma exagerada. A promotora acredita que os atos de promiscuidade, envolvendo a vítima, que se encontrava afastada da ingreja, podem ter influenciado na decisão dos jurados.
O corpo do padre foi encontrado no dia 16 de maio de 2011, coberto por serragem e galhos, próximo da casa da propriedade. “Sorriso”, que é de Novo Hamburgo, foi preso dias depois, em Caxias do Sul. Na época, em depoimento, Everton admitiu ter estrangulado o padre com um lençol, mas alegou legítima defesa. Desde então estava preso. Conforme a política, já tinha antecedentes por tráfico de drogas roubo. O padre Jacinto era natural de Brochier e atuava como vigário paroquial da Paróquia São João Batista, de Montenegro, tendo trabalhado também em outras cidades do Vale do Caí, como Bom Princípio, São Vendelino, São Sebastião do Caí e Tupandi.
Em seu depoimento, pela manhã, Everton voltou a alegar legítima defesa. Disse que estava deitado quando teria sido “atacado” pelo padre e tentou se defender, utilizando um pano, que seria lençol ou toalha. “Fui vítima. Ele queria me estuprar”, declarou “Sorriso”, alegando que agiu para se defender. Disse não se recordar como tudo aconteceu porque estava muito escuro. Depois arrastou o corpo para um barranco perto da casa, onde foi coberto com galhos e serragem. Já na acusação, a promotora de justiça Daniela Tavares Tobaldini mostrou aos sete jurados fotos do local e do corpo, citando que se trata de um crime cruel, em que a vítima teria sido morta por estrangulamento.
O júri foi acompanhado por alguns familiares do padre e também do réu. A mãe de Everton ficou no auditório até o início da tarde e não ouviu a sentença. Já três irmãs e um sobrinho do padre, que ficaram do início ao fim do julgamento, não gostaram do resultado. “A justiça falhou. Estamos revoltados”, comentou um parente do religioso, surpreso com a pena baixa que recebeu o réu.